Monday, August 4, 2008

Como o vento, isto passa pela minha cabeça…

Todo mundo quer agradar todo mundo. Ninguém fala em diferenças porque parece que isto não tem mais espaço em nosso mundo hoje. Bem, daí é que se trata todo mundo de forma igual. Isso é bom? Em certo sentido é o que se DEVE fazer. Em outro sentido é uma barbaridade. Como já dizia Zé Ramalho: “Ê ô ô Vida de Gado/Povo Marcado/Povo Feliz”. É uma ironia poética e inteligente dele. Será que todo mundo tem que pensar igual? Será que todo mundo tem que falar igual? Será que todo mundo tem que gostar das mesmas coisas? Será que todo mundo tem que concordar com tudo? Nosso espírito crítico está num processo de massacre midiático que não permite questionamentos. Isto significa que TUDO VALE! E o que é pior, VALE DE QUALQUER JEITO.

Na boa, jogam todo o tipo de lixo cultural em nossa cara e nós, vagarosamente, fomos perdemos o espaço para questionar, reclamar, refletir ou, simplesmente, jogar de volta. Observem as rádios… Creio que é bacana quando ouvimos uma rádio e ela nos conduz de uma canção à outra em uma viagem sonora que nos faz ficar esperando pela próxima canção…e a próxima…e a próxima. Bem, aviso aos críticos afobados: não sou elitista. Não é por aí, meu raciocínio não tem como objetivo a simplificação. Mas creio que hoje vejo as rádios jovens com um perfil não mais JOVEM, mas INFANTIL. Pré-adolescente, se preferirem. Um balaio de estilos, onde o que mais interessa é a promoção do intervalo comercial. As músicas…bem, depende se o artista aparece na Capricho, na Caras ou na coluna policial… E a música? Bem, suportamos até chegar o próximo intervalo, a próxima promoção e ver se telefonando ou mandando mail ganhamos algo - algum prêmio. No meio disso, piadas. Muitas piadas. Pre-conceituosas, de mau gosto, grosseiras, não importa: quem não gosta de uma piada? A mistura fica meio assim: rádio POP - público pouco exigente, rádio ADULTA - público sofisticado e chato. Música brasileira? Toca em rádio………….universitária. Xiiiii. Então de onde vem o forró, o sertanejo e o pagode universitário? E vem aí o funk universitário. Se o lance é universidade, que tal um vestibular? kkkkk

Você pode dizer até que eu estou de mau humor.
Pelo contrário, sinto-me bastante feliz. Ando rindo à toa. A verdade é que eu apenas espero das pessoas - tenho expectativas em relação a elas e seus trabalhos - assim como elas tem em relação  a mim e aquilo que eu faço. Falei em rádios, mas poderia ter falado em outros meios de comunicação e mídia. Na boa, às vezes sinto até vergonha. Dizem que a humanidade está em constante evolução. Tem gente muito empenhada em provar o contrário. Quer um exemplo prático? Aí vai… Imagine um grande baú onde você vai, a partir de agora, guardar TODAS as suas roupas. Eu disse TODAS! De inverno, de verão, novas, surradas, calças, casacos, meias, agasalhos, bonés… Bem, boa sorte ao tentar vestir-se toda manhã.

                      

Posted by thedy.correa at 04:17:48
Comments

16 Responses to “Como o vento, isto passa pela minha cabeça…”

  1. Fêfi says:

    Bom, medo da foto, mas… Vou filtrar e comentar o que tu escreveu.

    Não, eu não pensei que tu estivesse mal humorado. Bom, eu sou de selecionar muito tudo o que ouço, com quem ando, o que visto… TUDO! Assim como não ando com qualquer pessoa, não ouço qualquer coisa, essa é a idéia que tenho bem clara na minha cabeça. Rádio, televisão e derivados, me decepcionam. É sempre a mesma coisa, aquele “bom e velho” sertaNOJO de sempre, funk, axé… Respeito quem gosta (provavelmente por ter pouco ou nenhum contanto com essas pessoas), mas pra mim não acrescenta em nada. E se não acrescenta não vale, não serve. Tá certo, ninguém precisa pensar como eu, por isso existem “opções”. Mas é bom saber que ainda existe gente empenhada em fazer música DE VERDADE!
    Eu acredito (infelizmente) que as coisas ultimamente andam muito misturadas, parece que ninguém sabe o que quer, é tudo jogado, mal feito, uma junção de pagode com funk (por exemplo) que insistem em dizer “ISSO É O BRASIL, MINHA GENTE!!”, eu gostava de quando não era, então, as músicas até tinham letra, ora pois!! haha

    “Transformam o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro” diria Cazuza.

    (não sei se era essa a tua linha de raciocínio, mas deu vontade de falar sobre isso)
    Besos!

  2. Ana Paula Seiffert says:

    Oi, Thedy! É a primeira vez que visito seu blog e já fiquei muito bem impressionada com as suas reflexões. Que bom saber que és um cara crítico e que utiliza este espaço para discutir suas idéias. Sobre o lixo cultural: o mercado cada vez mais “empurra” conteúdo facilmente digerível a nós e o pior é saber da alta aceitação do(s) público(s) por esse tipo de mercadoria. A mídia não se cansa de exaltar a mesmice, enquanto gente de talento é jogada fora. Inversão de valores ou desvalorização do pensar? Os dois! Thedy, na verdade entrei aqui hj para te agradecer (e vou mandar um email para toda a banda no site também). Há uns 3 anos atrás eu estava hospedada no mesmo hotel que vocês em Itapema-SC, tirei fotos com vocês e ganhei um ingresso para o show que ocorreria naquele dia. Infelizmente eu não pude ir (vários motivos) e aquele show ficou engasgado na minha garganta. Finalmente, no último final de semana, pude me livrar de toda a frustração daquele feriado em Itapema: assisti ao show de vcs em São Bento do Sul, no Clube Tradição. O show foi sensacional! Sabes o que mais me impressionou no show de vocês? Foi saber que vocês já devem ter tocado muitas vezes em ambientes maiores e melhores, com mais gente e com outras condições, mas que mesmo assim vocês foram o máximo: profissionais ao extremo, totalmente animados e transmitindo aquela energia fantástica para o público! Foi MUITO especial e eu espero não demorar tanto para ver um show de vocês novamente! Mil vezes obrigada!

  3. Lilian says:

    Bom Thedy,
    Ouvi a música “Nervos de aço” do seu cd Loopcinio na eldorado fm (uma radio excessão)e fiquei com muita vontade de comprar o CD mas está esgotado por aí. Adorei sua interpretação para as canções do Lupicínio Rodrigues. Gostaria de saber onde conseguir um exemplar. Desculpe escrever em comentários mas não achei outro meio.
    Abraço e obrigada
    Lilian

  4. Neumara says:

    Sabe que ontem à noite, quando deitei na cama, fiquei ouvindo o único programa de rádio que ainda ouço (tu sabe qual é) e pensava exatamente sobre essa viagem musical que tu falou, esperando a próxima música…e isso é algo que te envolve, pois todas elas (ou a maioria) seguem um mesmo contexto.

    Muitas vezes me sinto sozinha, por ser diferente da maioria das pessoas com quem convivo. Meus colegas de curso, se juntam toda quinta pra ir no pagode e eu NUNCA fui. Não faço a mínima questão. E com isso, vou me isolando. Música pra mim tem que ter conteúdo. Prefiro ir num show sozinha, do que ir pra algum lugar cheio, só porque todo mundo vai.

    Concordo contigo com relação a essa falta de senso crítico. As pessoas estão cada vez mais sendo levadas pelo que todos fazem, com medo de ser diferentes. Achando que sendo uma cópia - quase sempre mal feita - de outros, conseguirão ser “melhores”. Isso é o que me dá mais medo.

    Mas já escrevi demais, resumo tudo com essa frase do Wilde:
    “Ah! Não me diga que concorda comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado.”

    Beijo!

  5. Lidiane says:

    Lendo tua reflexão, veio a minha mente o que um professor meu (novo professor tanto de idade quanto de profissão), nos falou em sala enquanto se apresentava, afinal, era a primera aula dele com a nossa turma (Design - Univille).
    Ele foi logo dizendo que além de gostar do que faz e tudo mais, ele curtia muita música, conhecer a fundo e ouvir coisas novas mas sempre com conteúdo. Além das antigas e sempre muito boas, é claro! Também falou sobre televisão, rádio, mídias, tudo o que promove ou acaba com a música. E com isso exercitou este belo e admirável hábito nos passando um trabalho envolvendo design e boa música. Posso dizer que foi uma das melhores aulas que tive, afinal, não é sempre que isso acontece, infelizmente. Daí já cai pro lado da educação, que creio eu, seja o início disso tudo, da falta de crítica, argumentos e cultura.
    É claro que é muito mais fácil não pensar e seguir o que os outros gostam e fazem, isso te “inclui” na sociedade e faz de você uma pessoa popular e “normal”.
    Mas se você tem senso crítico, sabe analisar o que é bom e o que te acrescenta intelectualmente, não vai dar bola pra comentários de pessoas que “acham” que são as melhores por curtir algo que todos curtem, sem muitas vezes nem saber a fundo do que se trata, da onde veio, e coisas do tipo.
    O essencial é ser você mesmo, e é isso que importa!

    Eis um hábito meu, escrever demais….hehehe

    Bjão pra ti

  6. Fabiana says:

    Por isso não curto muito escutar rádio, nada melhor que escutar o CD com as músicas que te fazem bem e não “acabam” com os tímpanos. Não só rádio, a televisão também faz com que as pessoas vejam aquilo que vai ser “moda” para que todos possam ser iguais.
    Não vou negar, já passei por essa fase de escutar músicas que só estavam no “auge” mais que não tinha conteúdo. Ainda bem que mudei, não suporto escutar essas coisas que fazem hoje em dia e que chamam de música que o povo gosta e quem não gosta podem até ser chamado de “diferente”, e é isso que eu gosto de ser DIFERENTE, minhas colegas de faculdade me criticam por gostar tanto de vocês, mais pouco me importo, elas não sabem como é bom ouvir as músicas, de ir nos shows, de conversar com vocês. Até tiraram uma com minha cara que a música que vou escolher para minha formatura vai ser do NDN, e digo a elas “vou mesmo e com o maior orgulho”, única coisa é que estou em dúvida.
    Gosto desse seu senso crítico.

    Saudades!
    Beijão!

  7. Fernanda says:

    Concordo contigo, JOGAM todo tipo de lixo cultural em nossa cara, e muitos de nós vai aceitando isso. Existem sim, boas rádios, boa revistas, bons programas de TV, mas são cada vez mais raros, e a grande massa “tosca” da mídia vai ganhando mais e mais espaço, pois existe um público. “Música boa é música velha, banda boa é banda velha”, ouço isso muitas vezes e quase sempre concordo. Mas vejo também que existem algumas bandas novas que são ótimas, e não só bandas, não vamos colocar o foco todo na música, existe muita coisa nova e boa. Mas é sempre bem “escondidinha”, infelizmente.
    Mau humor? Claro que não. Bom gosto, isso sim!

    Beijos, Thedy querido! :****

  8. Sarinha says:

    É ótimo ligar o rádio,mas tenho um esquema de horários e rádios,de programas nas rádios, que tocam música de boa qualidade, infelizmente, o rádio está indo para o mesmo caminho da nossa Tv aberta(salvo alguns Canais), que é só propagandas e coisas inúteis!
    O lixo cultural, está em todas as partes!
    Não tenho esperança de mudanças, mas tenho Fé na mudança!
    Abraços

  9. Como tudo na vida, preferência musical é relativa. Quando se tem um grande público que é sim inluenciado pela mídia, preferindo o tal lixo cultural que eu considero, eles não. Em relaçao a gostos musidais, tô do teu lado… Mas que culpa tem as pessoas de acabarem tendo sido inflênciada por qualquer outra coisa.. e… preferindo isso? E se a maioria prefere… claro que é o que vai ser POP e o que vai tocar mais em qualquer rádio. Odeio pagode, funk, sertanejo.. sou seletiva DEMAIS com o que ouço, que pra mm tem que ter conteúdo, ou não tem lógica nenhuma. Não vejo sentido em uma letra que diz “tô ficando atoladinha”, há quem diz que é pra dançar. Bom, eu me recuso. E dizem também que esse ato de me recusar a certas coisas também é mau humor… não, é seletivismo.

    Ótima reflexão a tua.
    Beijo…

  10. Oi Thedy…
    Estava no show de vocês ontem no Armazem Liquid em Três de Maio…
    Antes do show tive a oportunidade de conhecer vocês no restaurante, e tirei uma foto…
    Achei muito legal da parte de vcs… E percebo que vcs tratam muito bem todo mundo…
    Parabéns pelo show…
    Adorei…
    E espero que vocês voltem a região denovo… Logo!

  11. Neu says:

    Salve, salve o PIJAMA SHOW!!! \o/
    Amei teu depoimento. :)

    E será que a moça aí de cima é minha parente?

  12. Fêfi says:

    Mais uma Bender? :o
    Tô bege.

  13. Anonymous says:

    Pessoal,

    A musica Camila conta o perfil da minha esposa e o meu ou seja foi feita para gente…. obrigado…rsrs

    Quando ela engravidou ela ficou sozinha em São Paulo e toda semana eu voltava de Balneário Camburiú e em uma dessas semanas longe dela e pensando na nossa filha Clara que estava para chegar eu fiz uma versão da música Junho de 83 para elas e ficou mais ou menos assim:

    Julho De 83
    Nenhum De Nós

    Composição: Thedy Corrêa
    Agora Somos Três

    versão: Marcelo Casaca

    Deixo meu testemunho, de uma gravidez
    Sempre começo o dia
    Comprando pão francês
    Agente já se conhecia
    Tentamos mais de umas vez
    Mas foi na Ultra-sonografia
    Isso faz mês de um mês
    Eu já sabia o que havia
    Era a Clarinha que eu sei
    Será que eu conseguiria
    Me apoixonar mais uma vez

    (Refrão)
    A Camila e a Clarinha
    Eu tinha apenas 26
    Neném me compreendia
    E a Camilinha tambem

    (Refrão)

    Fiquei noites em claro
    Sentado sobre a escuridão
    Pensando em que fazer
    Querendo te encontrar
    E foi então que aconteceu
    Você veio me informar
    Caminhou em minha direção
    Sorrindo disse: Olá
    E neste dia começou
    A nova história
    Que continua até hoje
    E só parece melhorar

    (Refrão x2)

    ieeeee… ieeeee…
    Neném me compreendia
    E a Camilinha também
    A Clara chega em Junho, maravilhosa esplendidez.
    Ainda não sei qual dia
    Mas lembro do mês

    (Refrão)

    A Clara chega em Junho, agora somos três.

    [fim]

    PS: Penso em grava-la com minha voz e violão mas acho que ficaria muito melhor se vocês mesmos gravassem essa letra em homenagem ao nascimento da minha filha que venho ao mundo em 04/06/2008

    Obrigado pessoal, as musicas de vocês faz parte da nossa vida.


    Marcelo Pereira da Silva Casaca

  14. TemuH says:

    Boa noite, meu caro,

    Por conta de estudo e muito trabalho - sou analista de sistemas - deixei de ver TV faz uns anos. Atualmente, só mesmo futebol e algum filminho bem escolhido pra entreter.
    “Assistir por assistir”, sem chance, não tenho tempo a perder já que a programação enlatada não agrada.
    Aqui mesmo nesses comentários é possível identificar quantos estão insatisfeitos.
    O mesmo com a música; porém com o advento da web aprendi a ser mais seletivo. Ouço somente o que garimpo e acho fabuloso que não sou o único a compartilhar deste método.
    O que me dá medo é que essa massa alimentada com porcaria somente absorve o que a mídia preguiçosa injeta. Sim, “Povo Marcado/Povo Feliz”, é isso mesmo! Massa que não reage ao estímulo, só repete mecanicamente o que ouve e vê.
    Não troca informações/opiniões/críticas e é feliz. Será mesmo?!
    Eu sou feliz! Não me canso de experimentar o novo, procurar o melhor. E é a incessante onda de descobertas que me leva a mais e mais descobertas que me satisfazem, pois o prazer está na busca, não no resultado. E a internet disponibiliza tanta informação que não imagino como se consegue ficar travado na mesma idéia: empacado, burro, ignorante, pocotó.

    Não pretendo rotular tipos de músicas como bons ou ruins. Ao meu ver o que ocorre é que o que chamam de sertanejo, pagode, forró não são e nunca foram nada dessa porcaria que a mídia hoje traz. Ela sufoca a música regional, estragando o que era bom há décadas, cada qual em sua região de influência cultural.
    E o funk? Funk é George Clinton, Commodores, Earth Wind & Fire, KC & Sunshine Band, Kool & The Gang, Chaka Khan. “Aquilo” que se ouve na Cidade Maravilhosa não é funk!

    Sem querer ser partidário, tenho outro ídolo musical que disse algo simples, mas vem bem a calhar: “Rock music says you can change the world. Pop music says ‘Why bother? Everything’s okay’”. Nem defendo o rock, pois não curto só o rock. Mas defendo que o que é diferente é, talvez por coincidência, melhor!
    Então é isso: não está “tudo bem”, portanto fuja da mesmice e continue a mudar o nosso mundo! - sempre pra melhor :-)

    Um abraço,

    Temuh, um colecionador e apreciador de pocket shows

    P.S.: por falar em pocket shows, gravei um trechinho do show no Teatro do SESI, em Sampa, quando vocês tocam “Clara” do NoTeVaGustar. Não sou um fã de ska ou reggae então, particularmente (não é por puxar o saco do Nenhum) eu prefiro esta versão em que o Carlão desse a porrada na guitarra. Bem melhor que o original, hehehe…
    O link pro vídeo é esse: http://www.youtube.com/watch?v=yEBar2-Yf9w

    P.S. 2: criei um grupo de compartilhamento de fotos, quem quiser conhecê-las ou até mesmo se juntar ao grupo e postar mais fotos é muito bem vindo! O link é esse aqui: http://www.flickr.com/groups/ndn/

    P.S. 3: marquei minhas férias para poder estar em Porto Alegre de 06 a 09 de Novembro, por causa da programação disponível no site do Theatro São Pedro. Tomara que dê certo… :-D

  15. You are thinking, lots of hard work, much clearer, super progress, I am proud of you, showing your stuff, that’s the way, keep studying, almost there, so close, better than ever, I knew you could do it, way to go.

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